Abril Indígena: Secult Ceará realiza programação especial nos equipamentos culturais

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A Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult) realiza no mês de abril uma programação voltada para valorização da cultura, memória e luta dos povos indígenas no Estado do Ceará, por meio de uma programação especial em sua Rede Pública de Equipamentos Culturais, incluindo a Casa de Saberes Cego Aderaldo, em Quixadá, a Vila da Música, no Crato, o Cineteatro São Luiz e o Theatro José de Alencar com atividades nos próximos dias. Também participaram com programação no início do mês, o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura e o Museu de Imagem e do Som do Ceará.

A Vila da Música, equipamento da Secult Ceará no Crato, dá início à programação nesta terça-feira, 19/4, às 19h, com a exibição do documentário “A’uwê uptabi – O Povo Verdadeiro”, direção Angela Pappiani, no canal do YouTube da Vila da Música. Na quarta-feira, 20/4, no mesmo horário, é exibido o documentário “Rito de Passagem”, de direção de Angela Pappiani e Silvio Cordeiro, também no canal do YouTube do equipamento cultural.

A Casa de Saberes Cego Aderaldo, em Quixadá, realiza na quarta-feira, 20/4, uma programação inteiramente voltada à cultura indigena. Às 7h acontece uma visita técnica à Escola Indígena Kanindés de Aratuba, com mediação de Angelo Oliveira. A atividade acontece presencialmente, com vagas limitadas. Informações pelo Instagram do equipamento: @casadesaberes.ca. Pela tarde, às 14h, é a vez da oficina “História e memória dos povos indígenas cearenses: uma intervenção artístico cultural” com o historiador João Paulo Vieira  e mediação de Joyce Custódio de Freitas. À noite, às 19h, acontece a palestra ” Povos indígenas, territórios e tradições: existências e resistências”, com as lideranças indígenas Weibe Tapeba e Ailton Krenak, com mediação de Aterlane Martins. A atividade acontece no auditório do equipamento, com transmissão no YouTube da Casa de Saberes e IFCE Campus Quixadá. Por fim, está em cartaz no equipamento a exposição “A cara negra e indígena do IFCE”, com entrada franca.

No dia 23/4, o Cineteatro São Luiz abre a exposição virtual “Mecunã Kérupi Ané – Imagens de Povos Indígenas do Ceará”, para prestigiar as artes visuais dos povos indígenas do Ceará. É uma exposição sonho, uma maneira de trazer o exercício do sonhar de artistas indígenas pelo estado do Ceará. Os trabalhos e o onírico por trás dele que dão sustentação ao céu, a espiritualidade, a vida e ecologia que nos cerca, em diversas linguagens que vão desde o desenho até a fotografia, passando pela maquiagem como expressão da moda em que esses artistas têm moldado novas utopias. Para conferir, basta acessar o site do Cineteatro São Luiz: https://www.cineteatrosaoluiz.com.br/exposicoes.

Já no dia 29 deste mês, o Theatro José de Alencar realiza uma programação especial intitulada “TJA e os povos indígenas do Ceará”, com atividades infantis e homenagem ao líder indígena e artista cearense Benício Pitaguary, falecido em março aos 29 anos. Além disso, a programação conta com atrações artísticas e culturais da comunidade dos povos indígenas no Ceará: Jenipapo Kanindé e Pitaguary. Participam da atividade a Escola Brolhos da Terra dos Tremembés de Itapipoca, a Escola dos Jenipapo Kanindé de Aquiraz e a Escola Índios Tapebas de Caucaia. Mais informações em breve, pelas redes sociais do Theatro José de Alencar.

O Porto Dragão disponibiliza a websérie documental Nós no Batente, que conta a história do viver de arte da perspectiva de Benício Pitaguary e das Mulheres Indígenas Protegidas dos Orixás. Ambos foram gravados em 2021 e contam com acessibilidade de LIBRAS e audiodescrição. O acesso é gratuito pelo YouTube do equipamento:  https://youtu.be/OtHcP4UOyXc e https://youtu.be/jdiisORXYH0.

Política cultural para a população indígena

No Ceará, a população indígena é estimada em cerca 36 mil pessoas, formada por 15 povos indígenas – Anacé, Gavião, Kanindé, Kariri, Tremembé, Tapeba, Jenipapo-Kanindé, Pitaguary, Kalabaça, Karão, Tapuia-Kariri, Tubiba-Tapuia, Potyguara, Tabajara e Tupinambá – distribuídos em 20 municípios, nos domínios de serras, sertão e zona costeira do Ceará.

A Secult Ceará tem implementado políticas que promovam o exercício dos direitos culturais numa perspectiva cidadã, considerando a diversidade de forma intersetorial, interdisciplinar e transversal. Em 2017 instituiu o Comitê Gestor de Políticas Culturais Indígenas do Ceará, como instância institucional de diálogo importante para o desenvolvimento de programas, projetos e ações que dão visibilidade à cultura e aos conhecimentos tradicionais dos povos indígenas.

O Comitê tem papel central na política cultural. Integrou-se nesse comitê representantes das 15 etnias, organizações indígenas, organizações indigenistas e poder público. Essa estrutura contribui para o reconhecimento do protagonismo de um povo que, historicamente, tem produzido e difundido saberes em diversas áreas, como o artesanato, a culinária, os festejos e rituais que envolvem dança, música e espiritualidade e a terapêutica tradicional, além da quebra de estereótipos e processos discriminatórios em relação aos povos.

Como avanço desse diálogo, foram relacionadas ações institucionais importantes que marcam acontecimentos para os povos indígena: a realização do I e II Prêmio das Culturas Indígenas, com 41 iniciativas culturais indígenas reconhecidas pelas suas áreas de atuação cultural em diferentes territórios no Ceará. Outras conquistas realizadas estão relacionadas ao fortalecimento de 5 mestras e mestres da cultura indígena enquanto guardiões da memória e de práticas culturais específicas no território cearense. Em 2018, Cacique Sotero do Povo Kanindé e Pajé Raimunda do Povo Tapeba tornaram-se mestres reconhecidos. Em 2015, Cacique Pequena do Povo Jenipapo-Kanindé foi diplomada Mestra da Cultura, sete anos depois que os dois representantes indígenas haviam sido contemplados: Pajé Luís Caboclo e Cacique João Venâncio, ambos do Povo Tremembé, em Itarema.

Com a existência do Comitê Gestor, a Secult ampliou na sua agenda institucional a inclusão da pauta cultura indígena na programação de eventos e seus equipamentos editais: em 2019, na Bienal Internacional do Livro  do Ceará, houve o lançamento do livro “Os Tremembé no Ceará: Tradição e Resistência” da autora Maria Amélia Leite. Em 2020, os equipamentos culturais com maior inclusão de programação com os povos indígenas foram Escola Porto Iracema das Artes, Porto Dragão/HUB Cultural do Ceará, Centro Cultural do Bom Jardim, Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura e Theatro José de Alencar. Além disso, houve uma extensa participação na política de editais da Secretaria. O grande destaque se situa na aprovação e participação dos editais da Lei Aldir Blanc – Edital de Arte Livre Edital de Criação Artística (15 projetos), Edital Audiovisual (8 projetos), Edital Cidadania Cultural e Diversidade (9 projetos), Edital Cultura Viva (2 projetos), Edital de Patrimônio Cultural do Ceará (10 projetos), Edital Patrocínio a Festivais Culturais (8 projetos), Edital Territórios Culturais e Tradicionais (14 projetos) e Prêmio Cultura e Arte do Ceará (6 projetos), totalizando 72 projetos dos povos indígenas apoiados. Destaca-se também que foram concedidas pela Escola Porto Iracema das Artes pelo menos 24 bolsas para desenvolvimento de processos criativos em seu projeto de tutoria que versam sobre a temática étnico-racial.

Dando continuidade às ações institucionais voltadas para o fortalecimento das culturas indígenas no Ceará, a Secult Ceará, em parceria com Comitê Gestor Comitê Gestor de Políticas Culturais Indígenas, em 2022 tem como prioridade a elaboração do Plano Setorial das Culturas Indígenas do Ceará, vinculado ao Plano Estadual de Cultura do Ceará. Este é um instrumento legal da política cultural, que visa o desenvolvimento de ações voltadas para o fortalecimento, proteção, preservação, promoção e valorização das culturas indígenas no Ceará. Este plano está em processo de elaboração por uma comissão indicada pelo Comitê Gestor das Políticas Culturais Indígenas e equipe técnica da Secult.

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