CLARICE LISPECTOR 100 ANOS por Juninho Batista

Especial para PORTAL NO CEARA TEM DISSO SIM.

Em 1943, a escritora Clarice Lispector causou um verdadeiro impacto na literatura brasileira com a publicação de seu primeiro romance, “Perto do coração selvagem”, ao trazer uma narrativa sofisticada e diferente de tudo que havia sido feito até então. Na época, sua escrita foi comparada com a de nomes consagrados internacionalmente como James Joyce e Virginia Woolf, devido ao estilo introspectivo e à técnica do fluxo de consciência, característicos nas obras de ambos escritores. Desde então, Clarice transformou-se num cânone das nossas letras, ao lado de Machado de Assis e Guimarães Rosa. Após a sua morte, em 1977, o mito “Clarice” consolidou-se. Desde então, o mistério em torno de sua vida e obra passou a ser alvo de inúmeras discussões e análises entre críticos e leitores dentro e fora do país. O mais interessante é que, quase mais de 40 anos após sua morte, os textos da bela ucraniana naturalizada brasileira não perderam a dimensão arrebatadora de outrora, provocando fascínio e devoção aos seus novos leitores. Se viva estivesse, esse seria o ano do centenário de Clarice Lispector , Clarice na verdade nasceu Haia, pois é filha de pais judeus, nasceu na Ucrânia em 10 de dezembro de 1920, com sua família chegou ao nordeste do Brasil em Maceió no ano de 1922 indo pouco tempo depois pro Recife e pós morte de sua mãe para o Rio de Janeiro.

Clarice foi professora particular de português e matemática e fez faculdade de direito numa época onde as mulheres eram totalmente “recatadas do lar”, naturalizada brasileira, casou-se com um diplomata o que permitiu morar em países como: Estados Unidos, Inglaterra, Itália e Suíça.
Clarice pertence a terceira fase do movimento modernista no Brasil e imprimiu em suas obras uma literatura intimista, de sondagem psicológica e introspectiva, com mergulhos no pensamento e na condição humana, escritoras do Brasil, ela foi romancista, contista, cronista, tradutora e jornalista, Clarice dizia: “Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.”

Clarice Lispector é considerada, junto com Guimarães Rosa, a grande escritora brasileira da segunda metade do século XX, graças ao seu estilo, entre a poesia e a prosa. Uma marca que enchia os detalhes cotidianos de espiritualidade e que se caracterizava por utilizar a primeira pessoa na narrativa. Não se parecia com ninguém, e sua visão não recorda nenhum movimento, embora pertença à terceira fase do modernismo brasileiro, da chamada Geração de 45. Nas  mais de 80 histórias que escreveu, Clarice Lispector sempre evocou, em primeiro lugar, a própria escritora, ela mesma. Desde sua primeira história, publicada aos 19 anos, até a última, encontrada após de sua morte, há uma vida de experimentação através de diferentes estilos e experiências que nem todos entendem: até mesmo alguns brasileiros cultos se viram desconcertados pelo ardor que inspira, sem serem capazes de compreender o que escreve. Mas a arte de Clarice Lispector convida sempre a querer conhecer a mulher, e através de suas histórias se pode rastrear sua vida artística, da promessa da adolescência e da maturidade assegurada, até chegar à proximidade inexorável da morte. Por tudo isso e muito mais que 100 anos comemoraria se viva estivesse, é fato afirmar vive sim Clarice e pra sempre , Clarice é eterna e imortal, na sua obra e na sua arte.

                       “ Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome.
(Clarice Lispector)

Obras:

Romance

Perto do Coração Selvagem (1943)

O Lustre (1946)

A Cidade Sitiada (1949)

A Maçã no Escuro (1961)

A Paixão segundo G.H. (1964)

Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres (1969)

Água Viva (1973)

Um Sopro de Vida (1978)

Novela

A Hora da Estrela (1977)

Contos

Laços de Família (1960)

A Legião Estrangeira (1964)

Felicidade Clandestina (1971)

Onde Estivestes de Noite (1974)

A Via Crucis do Corpo (1974)

O Ovo e a Galinha (1977)

A Bela e a Fera (1979)

Literatura infantil

O Mistério do Coelho Pensante (1967)

A Mulher que Matou os Peixes (1968)

A Vida Íntima de Laura (1974)

Quase de Verdade (1978)

Como Nasceram as Estrelas (1987)

Crônicas

Para Não Esquecer (1978)

A Descoberta do Mundo (1984)

Correspondências

Correspondências (2002)

Minhas Queridas (2007)

Entrevistas

Entrevistas (2007)

Artigos de jornais

Outros Escritos (2005)

Correio Feminino (2006)

Só para Mulheres (2006)

Juninho Batista
Produtor Executivo

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4 comentários

  1. Artigo maravilhoso!!!

  2. Adorei, parabéns matéria ótima 👏👏👏👏

  3. Amei a matéria!

  4. Incrível !! Parabéns !!

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