Entrevista: Jornalista, influencer e professora, Mirelle Costa fala sobre comunicação e carreira

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Aos 36 anos, a jornalista Mirelle Costa entende que a profissão também a escolheu e a ensinou que é livre. Em sua jornada ela já trabalhou em assessoria de imprensa, edição, reportagem e produção de tevê, apresentou programas em tevês educativas, como O Povo e TV Assembleia, também se aventurou no Youtube produzindo conteúdo para o canal Coisas de Noivos e hoje faz comunicação institucional além de ser professora, onde teve experiência de lecionar em pós-graduação e cursos livres sobre comunicação.

Nossa entrevistada é um fenômeno da comunicação no estado, mas nem mesmo um currículo tão potente tira sua humildade e generosidade em ensinar e indicar novos talentos. Mirelle também está nas redes sociais, onde seu user no Instagram brada “Não Preciso Ser Fake” e não precisa mesmo, lá ela cozinha, mostra compras, fala sobre dia a dia, comunicação e muito mais, com um sorriso no rosto e sempre com a energia lá no alto e com fiéis seguidores que acompanham sua rotina.
O site “No Ceará Tem Disso Sim” entrevistou Mirelle e o resultado desse papo você confere agora:

No Ceará Tem Disso Sim: Como você descobriu o jornalismo e como você decidiu que era o caminho que deveria seguir?

Mirelle Costa: A gente precisa se conhecer. Quando era criança, lembro que escrevia
poesias. Minhas redações foram parar até no jornal O Povo que, à época, tinha um espaço para os estudantes. Nas festinhas de fim de ano da escola, sempre lia meus textos na frente de todo mundo. Por outro lado, era muito tímida. Quando cheguei no ensino médio, tive a oportunidade de conhecer uma emissora de tevê e me apaixonei. Escolhi o jornalismo e o jornalismo me escolheu.

NCTDS: Qual a maior realização que você considera que o jornalismo te proporcionou nesses anos de carreira?

Mirelle: O jornalismo me proporcionou encontros inesquecíveis com pessoas que eu só iria conhecer trabalhando e eu não tô falando de famosos. Sou apaixonada por Gente, por histórias de vida. Me encontro em muitas pessoas que entrevistei. Aprendi que, ao dar voz a muita gente, luto com eles. O jornalismo me ensinou que sou livre.

Mirelle Costa (Reprodução/Instagram)

NCTDS: Com o digital mudando o consumo das pessoas, as frequentes fake news, páginas ditas de jornalismo sem responsabilidade, ataques do governo aos profissionais, como você vê a cena hoje e o que acha que acontecerá com o futuro da profissão?

Mirelle: É muito triste ver o quanto somos desrespeitados. Hoje a sociedade vive uma experiência única e, ao mesmo tempo, não sabe o que fazer com ela. Ter o acesso ao Whatsapp de uma rádio ou tevê e enviar vídeos e fotos de chuva é totalmente diferente de estar lá, apurar, questionar, cobrar, entender e saber repassar. A audiência se sente protagonista da notícia, mas não tem uma relação de compromisso como nós, jornalistas, temos. Aí está a grande diferença. Também acho que deixamos muitos espaços vazios que foram preenchidos indevidamente. Se nós, jornalistas, não nos unirmos, se não dissermos ao mundo que não somos concorrentes, podemos ficar ainda mais vulneráveis. Estamos cansados porque trabalhamos dobrado: pra produzir conteúdo jornalístico e para separar o que é notícia do que não é verdade e isso desgasta demais.

NCTDS: Quais canais você consome e indica para acessar notícias atualmente?

Mirelle: Pra mim, tempo é commodity. Não me permito ficar com a tevê ligada e assistir passivamente a qualquer coisa que passa na tevê porque simplesmente não estou nem aí. Uso plenamente minha liberdade de escolha. Gosto muito de refletir. Atualmente, escuto o podcast Mamilos, que faz análises sobre várias temáticas de forma leve e democrática. Assisto sempre os DOCS que a Rede Globo faz porque sempre tem muita qualidade. O último que assisti, o do Bráulio Bessa, gostei muito. É um respiro nos dias de hoje.

NCTDS: Há anos você também atua como educadora para pessoas que querem se especializar no jornalismo. Conta um pouco de como começou e como tem sido essa experiência pra gente.

Mirelle: Eu sempre quis ensinar de uma forma diferente da que eu aprendi. Foi uma forma de devolver ao mundo algo melhor. Em uma redação, muitas vezes, não há tempo nem motivação para ensinar alguém do zero, desde segurar o microfone até a correção do texto. A gente aprende na “marra”. Sempre soube que era possível ajudar quem estava vindo atrás de mim, abrindo caminhos ao dizer: “Ei, ali tem um buraco cuidado!”. O melhor de tudo é que aprendi tanto quanto ensinei. Conheci pessoas incríveis que hoje, nas mais variadas funções, também mudam o mundo.

NCTDS: Inclusive existe um curso que você está lançando atualmente que se chama “Comunicação Sob Medida”. Como ele funciona? Para quem é?

Mirelle: A primeira vez que estive em sala de aula foi há uns oito anos. Quando ministrei o curso, o repórter não era tão exigido como hoje que, muitas vezes, até sai sozinho, sem o cinegrafista. Então, pensamos em ajudá-lo a pensar o jornalismo e fazer uma reportagem utilizando todos os elementos disponíveis, inclusive a sensibilidade. O curso é até pra quem não gosta muito de estar de frente para as câmeras, mas sabe que é preciso conhecer as ferramentas e saber usá-las a seu favor. Como os casos de gripe e COVID estão aumentando, resolvemos mudar o curso para 100% online, então, adiamos para reformular esta edição.

NCTDS: Você pode falar um pouco do seu trabalho no Creci Ceará?

Mirelle: Fui convidada para ser assessora de imprensa e acabei criando um setor. Tudo aconteceu aos poucos. O meu encantamento pela comunicação contagiou a diretoria que percebeu que investir em comunicação é uma excelente estratégia. Hoje o nosso trabalho é valorizar a categoria dos corretores de imóveis e informar a sociedade que só existe transação imobiliária segura quando essa é feita por um profissional inscrito no Conselho. A gente consegue fazer isso com vídeos, artes, entrevistas, cursos e palestras.

NCTDS: Fim do ano passado você ganhou o Prêmio Gandhi com esse projeto. Como foi receber esse reconhecimento?

Mirelle: Fiquei emocionadíssima! O Prêmio Gandhi de Comunicação é o mais querido dos jornalistas pela temática da cultura de paz. Essa imagem que as pessoas fazem de que o jornalista adora noticiar desgraça é mentira, pelo contrário. Comemoramos uma boa notícia como nossa também, mas sabemos que é nosso papel trazer a verdade e, infelizmente, estamos vivendo muitos desafios. No meio de uma pandemia, eu descobri uma corretora de imóveis que é cadeirante. A história de vida dela mexeu muito comigo porque minha mãe teve um AVC ano passado e ficou com o lado direito paralisado. Fiz a reportagem mostrando o dia a dia da corretora de imóveis que transformou as limitações em conquistas. Fiz a matéria e me envolvi muito com a história de vida dela. Acho que o importar-se e, ao mesmo tempo, o respeito de expor suas lutas foram os diferenciais para que fossemos escolhidos.

Mirelle Costa – Prêmio Ghandi de Comunicação (Reprodução/Instagram)

NCTDS: Além de toda a bagagem profissional, você usa as redes para trazer uma Mirelle do dia a dia, Como surgiu essa vontade?

Mirelle: Sempre acompanhava os outros na rede social e, muitas vezes, via uma realidade muito distante da minha. Ficava pensando que eu não deveria ser a única dona de casa que trabalha fora e, cansada, se esbalda no sofá atracada com um balde de pipoca. Também sabia que vida de casada não é fácil e que, provavelmente, as tretas são as mesmas, só mudam de nome e endereço. Aí comecei gravando vídeos dentro de casa mostrando minha vida mesmo, com todas as dificuldades e, ao mesmo tempo, com leveza e até de um jeito engraçado.

NCTDS: Porque decidiu usar o @ “Não Preciso Ser Fake”?

Mirelle: Nesse lance de postar, tive uns encontros com um especialista em marketing digital que me sugeriu ser mais profissional nas redes sociais, o que, pra ele, significava ter o feed mais organizado, investir na minha imagem. Aí foi quando eu disse pra ele que não iria fazer nada do que ele estava me sugerindo porque eu não precisava ser fake. Assim assumi o nome no instagram e esse naming norteia minhas ações na rede e os assuntos que abordo.

NCTDS: Como concilia tantas atividades e uma rede social em movimento?

Mirelle: Já me pressionei pra ter mais constância nos posts, mas realmente não consigo. Tem dias que não tô tão bem, então, fico mais quieta, na minha e não posto nada. E algumas vezes eu aproveito que não tô bem para dizer: oi, não tô bem, você já se sentiu assim? Por que? Assim eu me liberto e também posso ajudar alguém a se libertar também. Ultimamente, estou preferindo escrever a gravar vídeos. Tô fazendo muitos textões porque pra mim a escrita sempre foi um grito. Tô me conhecendo cada vez mais e isso tá me fazendo muito bem.

Mirelle Costa (Reprodução/Instagram)

NCTDS: Para encerrar, o que podemos esperar da Mirelle em 2022?

Mirelle: Eu espero uma Mirelle que leia mais livros, que consiga se desligar mais do celular porque é necessário, uma Mirelle que se importe menos com que os outros digam. Uma Mirelle que descubra mais músicas que curem. Em 2022, venho com uma grande novidade hahahahaha Digo a você em primeiríssima mão que estou lançando um livro e tô muito feliz por isso. Em breve, te dou os detalhes. \o/

Acompanhe Mirelle na rede social: https://www.instagram.com/naoprecisoserfake/

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