De Alfândega à Caixa Cultural: Conheça a História do ‘gigante de pedra’ de Fortaleza

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Quem passa pela Avenida Pessoa Anta, não deixa despercebido a estrutura de pedra, quase que comparada as edificações medievais da Europa, cortando a paisagem da costa litorânea da cidade de Fortaleza, o atual edifício da Alfândega ou o prédio da Caixa Cultural, comumente chamado, tem sua origem na rua que em 1810 recebia o nome de “caminho da praia” ou rua da praia. O espaço escolhido para a construção, detinha um modesto prédio rodeado pela praça Almirante Saldanha, posteriormente rebatizada de Praça da Alfândega, fazendo um elo com o novo prédio.

Erigido, em 1891, durante toda a sua trajetória sediou a Alfândega e a Secretaria da Fazenda e que, atualmente, pertencente à Caixa Econômica Federal, disponibiliza o equipamento da Caixa Cultural, fazendo parte do roteiro turístico e cultural de nosso Estado. Contudo esse espaço de cultura e apreciação da artes em geral, tem sua história peculiar dentro do processo e dos avanços da economia local que não só fala de sua participação no processo de crescimento portuário do Estado, mas também apresenta um recorte de experiências e vivências.

O engenheiro inglês John Hawkshaw foi o responsável pela idealização do projeto do edifício, ação que iria compor a estrutura do Porto de Fortaleza, em um período de importantes trocas comerciais e crescimento econômico dos quais a cidade de Fortaleza passava no século XIX. O prédio foi construído por Tobias Laureano de Melo e Ricardo Lage, e foi inaugurado para sediar a alfândega em 1891. O gigante de pedra, assim conhecido, constitui-se de uma “construção revestida de pedras com argamassa feita de óleo de peixe e areia”. Os ferros foram importados e vieram da firma escocesa Walter MacFarlane e Co. de Glasgow. A estrutura é em ferro fundido e forjado, integrando adornos e elementos. As colunas são esguias com fuste cilíndrico e decoradas com capitéis coríntios. Segundo o COEPA – Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural do Estado do Ceará o projeto do edifício constitui-se em um grande bloco central de dois pavimentos destinados à administração do conjunto mercantil da aduana e os armazéns, nos dois blocos laterais, um pouco mais recuados em relação ao primeiro. Na face leste, ligado ao armazéns, um edifício também de dois andares, destinados à administração do porto. Importante destacar que à época da inauguração, isto é, ao final do império, o conjunto portuário passou a compor parte importante na estrutura econômica do Estado e peça fundamental no sistema de transporte interurbano, como nó de ligação com o transporte marítimo para importação/exportação.
Na década de 1930, com a mudança de localização do porto para a enseada do Mucuripe, as atividades portuárias foram também transferidas e o prédio da alfândega passou a ser ocupado por outros setores da secretaria da Fazenda. Nos anos 1980, o edifício foi adquirido pela Caixa Econômica Federal, que realizou obras de recuperação no prédio, após a sua quase destruição pelo incêndio ocorrido em 1978.
Mas é somente em 2005 que o Prédio é tombado pelo Patrimônio Público Estadual, e em 2012 , Fortaleza recebe o espaço da Caixa Cultural, sendo portanto a sétima cidade a receber uma unidade, já presente em outros Estados Brasileiros. Hoje a Caixa Cultural apresenta em sua estrutura artístico-cultural, exposições das mais diversas temáticas, desde obras de renome nacional e internacional, exposição de quadros e esculturas bem como atividades pedagógicas com as escolas e os visitantes. Uma das exposições atuais relata o processo histórico do próprio Prédio e tem como tema a História alfandegária.

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Fabrício Monteiro

Graduado em História pela UNESA/RJ, atua no grupo de pesquisa do Museu do Ceará (2021), Experiência profissional em Patrimônio Histórico e Cultural brasileiro, tendo atuado como monge e bibliotecário do Mosteiro de São Bento da Bahia (2015). Sua especialidade é educação patrimonial.

Artigos: 6

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