(ANÁLISE) O Dilema das Redes: A série que fala sobre mídias sociais na Netflix

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Um docudrama que começa com a frase de Sófocles “Nada grandioso entra nas vidas dos mortais sem uma maldição” merece uma atenção por si só.

Expectativa

Se você espera que “O dilema das redes” seja algo como uma teoria da conspiração distante ou vista roupas de futuros disruptivos como Black Mirror e Jogos Vorazes, pode esquecer. O material dirigido por Jeff Orlowski e escrito por Orlowski, Davis Coombe e Vickie Curtis é bem contundente quanto à realidade. Então o tempo todo somos confrontados com dados que são apresentados e com a narrativa toda guiada por engenheiros, executivos e idealizadores do Google, Facebook, Instagram, Youtube, Pinterest, Twitter, etc. Então a sua angústia de pouco mais de 1h30 de filme é de que não se trata de uma teoria, nem de um futuro distante, se trata do agora e de como a tendência é piorar.

Realidade
O docudrama mostra as redes sociais e seus algoritmos sobre uma ótica diferente que temos no dia a dia e que até debatemos na No Cute. O que vemos em tela são os impactos imediatos, a curto, médio e longo prazo que nossos smartphones barulhentos trazem para a economia, meio ambiente e relações sociais. O material esfrega em nossas faces como empresas como Facebook lucram ao mesmo tempo que polarizam populações, mexem com sanidades mentais, brigas de governantes e disseminam fake news em uma escala assustadora. “O dilema das redes” nos coloca nessa equação, não somos simples espectadores, somos parte da narrativa ali apresentada e a todo tempo nos questionamos como nosso papel corrobora para coisas que nem podíamos imaginar. Você chega a se comparar a um terraplanista, sim, e se você tem sensibilidade e problemas em se auto questionar, vai ser duro assistir o material. Apesar de achar que no fim o enredo peca em passar a mão em muitas empresas, não apontam nomes, e deixam tudo numa névoa que sabemos que é o borrão de que eles sabem ainda mais do que expõe perante câmeras.

Reflexão
Outro pensamento que vem é que a Netflix que também faz uso do sistema, afinal ela nos estimula a ficar na tela o máximo de tempo possível, não? O encurtamento de séries para mais pessoas consumirem, a ferramenta de avanço de episódios para assistir um produto de forma mais acelerada para maratonar mais coisas. Então, ficamos encucados com toda a metalinguagem disso tudo!

Quem vai ruir?
Recortando para nossa relação: Uma agência te indicar o “O dilema das redes” que é como estamos fazendo agora, é um pedido para acordar para nossos papéis e como podemos gerar relações saudavéis on‑line, pois é possível, mas para isso não podemos viver no conforto da ignorância. Precisamos criar juntos uma rede em que consigamos dialogar, anunciar e ao mesmo tempo entender o que estamos fazendo e criar conteúdos que não fomentem apenas cliques, mas sim leve informação e relevância. Complicado, né? Sim, mas é como a comunicação é, complexa porque lida com pessoas e pessoas são universos.

Um spoiler sobre a atração da Netflix? Ela te mostra como você é um produto na mão de pessoas como Tio Mark, o quão somos viciados nessas notificações, o quanto se aproveitam da carência humana para vender. É bem assustador, é uma realidade cruel e maluca e se podemos de alguma forma minimizar isso nem que seja para que possamos construir comunicações responsáveis e influentes, vamos debater para criar, vamos pensar e repensar, criar e recriar. Até porque a própria história mostra que criações podem ser desvirtuadas e rachadas ao se voltarem apenas para lucros. O problema do filme é a pergunta “quem vai ruir com isso tudo?”.

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No Cute Agency

Criado pelo comunicólogo Nauan Sousa, o perfil No Cute Agency nasceu durante o período de quarentena com objetivo de democratizar informações de marketing digital para social medias, pequenos e médios empreendedores. Conforme as publicações no Instagram do projeto foram engajando, apareceram clientes, alunos e pessoas que de fato transformaram a iniciativa em uma agência remota.
Priorizando entrega de qualidade e com criatividade sem perder o viés de entrega de conteúdo, a No Cute continua evoluindo junto com seus clientes, alunos, colaboradores e todos que de alguma forma apoiam essa jornada e vêem a comunicação como base essencial para vida.

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