Crianças com sotaque “Youtuber” e Mini Influencers

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A relação criança e rede social é uma polêmica sem fim. Estamos em uma geração onde tudo é digital, desde as informações como as formações. E claro, indústrias grandes jamais deixariam de tirar proveito do público infantil e seus pais.

Galinhas alegres que cantam, joguinhos eletrônicos, porquinhas que hitam na internet são menos de ⅓ do conteúdo que a meninada é exposta nas redes sociais. Muitas cores, movimentos, conteúdos, tudo em fração de segundos em olhinhos vidrados e nervosos nas telas de diversos tamanhos. Dados da pesquisa TIC Kids Online Brasil 2019, divulgada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) por meio do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) revela que 86% das crianças e dos adolescentes são
usuários de Internet.

Com tanta adesão dos pequenos às redes, alguns comportamentos geracionais começaram a ser observados pelos pais. A BBC publicou em 13 de abril deste ano um texto interessantíssimo chamado “’O YouTube influencia o jeito de falar da minha filha’”, onde pais observaram que seus filhos estavam falando com sotaques aleatórios, devido ao consumo de youtubers de outros estados, em Portugal, pais também notaram que as crianças estavam falando como brasileiros. Ou seja, o “oxe” do Nordeste chegando no Sul, a expressão “deu ruim” causando estranhamento dos pais que nunca ouviram nada disso em
seus ciclos, crianças vendo câmeras e instintivamente falando “Oi galerinha!”. Essa diversidade linguística é até bom para diminuirmos os preconceitos por falas, mas não deixa de ser um fenômeno intrigante.

Outro ponto de observação de crianças e redes, são os mini influencers. Com certeza você já viu algum mini influencer sendo fofis no Instagram, TikTok ou até Youtuber. Tem casos que geraram polêmicas como Bel Para Meninas, e tem até um vídeo que explica o que supostamente rolou. Veja:

Entenda o caso da Bel para Meninas

Uma criança espoleta, fazendo publis, stories, e até perfis de bebês que nem falam ainda, mas já tem sua vida registrada entre hashtags. Incrível, né? Talvez não.

Não são poucos os indicadores que mostram que o Instagram não é um lugar apropriado para um equilíbrio quando se fala em saúde mental. Segundo pesquisa da FGV – Fundação Getúlio Vargas – 41% dos jovens dizem se sentir tristes, depressivos ou ansiosos em contato com as redes sociais. Com tantos dispositivos que inflam egos, métricas que dizem se você é ou não “alguém” nessa lógica “algoritimica”, crianças já estão sendo introduzidas em todo esse meio sem consentimento.

Gerações e mais gerações de pessoas mergulhando nas aprovações e reprovações de plataformas digitais gerida por mentes que visam lucro, e muitas vezes esse mergulho vem antes do nascer, com a foto do ultrassom e a abertura da conta da criança numa rede. A médio prazo, quais as consequências que isso pode tomar?

Além de todas as questões levantadas, esse ponto fica mais gritante com os filhos de famosos. Muitos não só criam contas para bebês, mas tem casos aqui no Brasil mesmo de crianças recém nascidas ganhando selo de verificação, mas espera, a plataforma não é permitida apenas para maiores de 13 anos? Então porque a rede valida esses perfis? E não é só nesse aspecto do termo de uso do Instagram que perfis de bebês atropelam não. Alguns podem argumentar que os perfis são moderados pelos adultos, os pais, porém a rede fala que você não pode criar uma conta para outra pessoa, a menos que tenha a permissão expressa dela, o que é bem complicado para alguém que provavelmente nem sabe dizer a palavra “compartilhamento”.

Então ficamos aqui reflexivos com o que as redes estão dispostas a flexibilizar em suas regras e bom senso para se entupir de gente. Como todos esses pontos refletirão nos adultos que virão e como já influem nas crianças de hoje.

Sobre a No Cute Agency
O perfil No Cute Agency nasceu durante o período de quarentena com objetivo de democratizar informações de marketing digital para social medias, pequenos e médios empreendedores. Conforme as publicações no Instagram do projeto foram engajando, apareceram clientes, alunos e pessoas que de fato transformaram a iniciativa em uma agência remota.
Priorizando entrega de qualidade e com criatividade sem perder o viés de entrega de conteúdo, a No Cute continua evoluindo junto com seus clientes, alunos, colaboradores e todos que de alguma forma refletem comunicação de maneira responsável. O autor do texto dessa coluna é o mentor do projeto Nauan Sousa.

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No Cute Agency

Criado pelo comunicólogo Nauan Sousa, o perfil No Cute Agency nasceu durante o período de quarentena com objetivo de democratizar informações de marketing digital para social medias, pequenos e médios empreendedores. Conforme as publicações no Instagram do projeto foram engajando, apareceram clientes, alunos e pessoas que de fato transformaram a iniciativa em uma agência remota.
Priorizando entrega de qualidade e com criatividade sem perder o viés de entrega de conteúdo, a No Cute continua evoluindo junto com seus clientes, alunos, colaboradores e todos que de alguma forma apoiam essa jornada e vêem a comunicação como base essencial para vida.

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