Máquina do POP: A análise de “Anitta Made In Honório” da Netflix

Compartilhe nas redes

Vamos analisar, no estilo No Cute, o documentário da cantora e empresária Anitta na Netflix? Então vamos!

Antes de mais nada, porque uma série documental by Netflix + Anitta?
Nada posto em um palco é por acaso, principalmente em se falando de Anitta, que como vemos na série, calcula cada um de seus passos. O objetivo dos episódios da série da Netflix é a humanização da cantora, midiaticamente atacada em vários momentos pela persona Anitta (cnpj). Chegou a hora, então, de mostrar Larissa (cpf) e gerar mais relacionamento com a audiência. O subtítulo “Made in Honório” já é
uma dica de que viajaremos nas origens da empresária que briga pelo seu espaço desde cedo. Ganha Netflix com views da cantora mais popular do país e ganha ela em reforço de imagem mais humanizada.

A máquina Anitta

Anitta em toda série, quando se trata de shows, publicidades, ações, campanhas, aparece sempre imponente, poderosa (como seu primeiro grande hit sugere) e dura. Para o prisma que precisamos analisar, o de marketing, a empresária criou uma persona que conversa diretamente com sua audiência. Anitta faz tudo o que for necessário para chegar nas milhares de Larissas (seu nome real) do Brasil. Ela viveu o que seu público vive, ela sabe o que que eles querem e ainda sim vive fervorosamente um trabalho de pesquisa quase simultânea de tudo que é tendência para o povo e para a indústria musical. Anitta é um algoritmo que capta dados e automaticamente os insere em seus shows. Por isso em “Made In Honório” vemos uma empresária que a todo momento muda de rota, assim como a indústria pede. Ela vem com a história do funk na bagagem, com a vivência na comunidade e bailes funks e transporta isso
para o palco, fazendo com que sua comunidade se veja em locais como Rock In Rio. Cada frase em uma música de Anitta é uma afirmação da persona criada, é um imã de pessoas. Fãs não racionalizam esse aspecto milimetricamente calculado porque amam ídolos e as questões ídolo/fã são mais emocionais, do que racionais. Fã não ama porque curte, fã ama porque sente. E ela sabe disso. Sabe o que cantar, o que dizer e o que postar e quando fazer isso para ganhar like, share e até hate. É tudo computado e percebemos que ela involuntariamente tem um painel de controle (equipe) para isso.

Anitta segue receitas de outras grandes personas que já mostraram essas facetas mundialmente em público como David Bowie, Lady Gaga, Marilyn Monroe, Madonna, por exemplo.

Anitta em “Made In Honório” – Netflix

Anitta não vende música

Os episódios deixam claro que Anitta não vende música, vende experiência. Ela já captou o que muitos empreendedores têm dificuldade master de entender: o que as pessoas querem comprar.
E não é só música não, é o pacote experiência completo onde ela entrega moda, audiovisual, impacto em mídias digitais, colaborações internacionais e grandes palcos. Por isso vemos a empresária querendo controlar tudo à sua volta, pois tudo faz parte do show, parte da sua criação. Essa visão macro já é meio caminho andando para comunicação coesa e com alinhamento de expectativa do público.

Mas, e a Larissa, qual o papel dela?

O lado pessoal da cantora é um caso à parte. Muito dos julgamentos que Anitta levou da mídia tinha a ver com a sua persona, trazer Larissa nesse momento da carreira é crucial para que as pessoas entendam o contexto por trás de como ela conduz as coisas à sua volta. Essa proximidade é o que toda marca deveria ter com seu público, esse cuidado em mostrar vulnerabilidade e assim trazer as pessoas involuntariamente para seu lado através de identificação. A própria Netflix quando twittou no final de 2020 a frase “Eu tentei, gente. Mas só temos até o dia 31 de dezembro para rever ‘Um Maluco no Pedaço’, ‘Gossip Girl’ e ‘Friends’” é um exemplo de compartilhamento de vulnerabilidade de um cnpj que precisou gerir um imprevisto e isso traz identificação, isso tira a comunicação de um patamar sisudo e distante.

“Made In Honório” é um desabafo da popstar em constante exposição em sua versão mais crua, Larissa. Nas câmeras, ela conta sobre seu passado, relacionamentos, traumas, alegrias, tristezas e inseguranças, a mulher em frente as lentes da Netflix sabe o que é pobreza e hoje é provedora de uma família. Larissa briga, e briga muito durante o documentário. Extremamente controladora, ela dá esporros em funcionários, diz algumas vezes que só ela sabe gerir a máquina (marca) Anitta e gera tensões durante os episódios. Os gritos, e cobranças trazem a gente para um dos irmãos da artista dizendo o quão é difícil trabalhar com ela e esperar elogios que raramente vem. Sabe o que isso lembra? “A vida com a minha irmã Madonna”, livro de Christopher Ciccone falando sobre como era trabalhar com a máquina (marca) Madonna e ser o irmão da persona por trás da rainha do pop.

Muitas cenas da doc‑série mostram a Anitta engolindo a Larissa e uma aparente exaustão, que aparece quando ela fica doente e não quer largar o trabalho.

Anitta em “Made In Honório” – Netflix

E a gente tira o que de Made in Honório?

A série é uma obra fechada aprovada por Anitta, ela tem em sua mente, em sua equipe e nas reuniões uma justificativa de ter deixado uma equipe da Netflix adentrar seu dia a dia. Tudo é calculado e há uma parte do pensamento de Anitta muito admirável, a forma como colhe feedbacks para construir um império. Analisar como ela consegue criar a partir do conhecimento que ela tem da própria audiência é um grande ponto que podemos aproveitar como comprovação de que funciona. A prova é o show de Madureira, ato final da série e que mostra que ela criou uma conexão real com seu povo e eles a ajudam a alcançar mais novas conquistas. Aquele momento é a conclusão de trabalho árduo e uma ligação forte com quem a marca conversa todo dia, e por isso é tão comovente, além de ser a origem da artista.

Outros pontos a serem analisados é de que é importante encontrar um equilíbrio saudável entre trabalho e a vida, claro que as escolhas de Anitta são dela, mas não é qualquer pessoa (nem ela como vimos) que aguenta aquela carga 24 horas por dia. Momentos de lazer e com a família são fundamentais. Relacionamento com funcionários, é uma polêmica gigante desde que tudo foi ao ar, mas assim como o extremo controle, são os pontos fracos que desmoronam um pouco da pessoa por trás da Anitta. Não confiar em quem se demanda e um controle absurdo pode adoecer e também ativar gatilhos e ansiedades em outras pessoas. Porém, é importante ressaltar que se na série fosse um homem no lugar de Anitta, muitos não questionariam, como não questionam Steve Jobs, por exemplo. É entendível que Anitta tenha tanto pulso para ser ouvida, pois as mulheres sofrem muito para serem ouvidas no mercado, além do funk ser um segmento de comunidade em que as pessoas torcem o nariz. Eis um dilema, onde o problema não está exatamente na cantora, mas em um contexto social errôneo que se criou e ela se adaptou para ser ouvida.

Por fim, mas não menos importante aproveite a jornada, tudo talvez seja melhor quando você
aproveita cada conquista e com as pessoas que te ajudam, nisso o irmão da cantora tem razão,
é importante agradecer e também curtir e descansar quando se deve.

Sobre a No Cute Agency

O perfil No Cute Agency nasceu durante o período de quarentena com objetivo de democratizar informações de marketing digital para social medias, pequenos e médios empreendedores. Conforme as publicações no Instagram do projeto foram engajando, apareceram clientes, alunos e pessoas que de fato transformaram a iniciativa em uma agência remota.
Priorizando entrega de qualidade e com criatividade sem perder o viés de entrega de conteúdo, a No Cute continua evoluindo junto com seus clientes, alunos, colaboradores e todos que de alguma forma refletem comunicação de maneira responsável. O autor do texto dessa coluna é o mentor do projeto Nauan Sousa.

Siga: @nocuteagency

Compartilhe nas redes
Imagem padrão
No Cute Agency

Criado pelo comunicólogo Nauan Sousa, o perfil No Cute Agency nasceu durante o período de quarentena com objetivo de democratizar informações de marketing digital para social medias, pequenos e médios empreendedores. Conforme as publicações no Instagram do projeto foram engajando, apareceram clientes, alunos e pessoas que de fato transformaram a iniciativa em uma agência remota.
Priorizando entrega de qualidade e com criatividade sem perder o viés de entrega de conteúdo, a No Cute continua evoluindo junto com seus clientes, alunos, colaboradores e todos que de alguma forma apoiam essa jornada e vêem a comunicação como base essencial para vida.

Artigos: 7

Deixar uma resposta