A cidade de Fortaleza aos olhos da Literatura por Fabrício Monteiro

Tanto a história quanto a literatura exercem fundamentais papéis para o progresso do contexto social da realidade brasileira, principalmente quando uma está introduzida no contexto e nas perspectivas da outra.

Lembremos que a literatura é a máxima expressão do autor sobre a realidade em que vive. No Ceará em especial vamos encontrar autores que relataram e convertem em literatura momentos cruciais da nossa história. Neste trabalho refletiremos três autores peculiares da sua própria doutrina, Adolfo Caminha, Oliveira Paiva e Gustavo Barroso. Cada um de forma particular apresentando uma cosmovisão de seu Estado e de sua capital pitoresca, Fortaleza, em seus aspectos progressistas. A mutação urbana, cultural e social, atentando para o século XIX e início do Século XX, onde foi influente o período de modernização em sua estrutura e cultura.  Neste período a capital cearense conspirava de um progresso positivo e disposta a profundas mudanças na sua geografia urbana.

Fortaleza compunha ruas e áreas civilizadas já na virada do século XIX para o século XX. Em outro contexto destaca-se a existência de ruas centrais e desenvolvidas. O progresso chega à capital de forma social e educativa. Os liceus e as escolas começam a ganhar forma e nome e logo tem-se estruturado a Academia Cearense de Letras, assim com o avanço intelectual literário o estado do Ceará, pode oferecer um grupo de pensadores da literatura nacional. 

A ideia de progresso é para Adolfo Caminha não deve ser tomada apenas em sentido estrutural, mas social, Gustavo Barros, cultiva o progresso desigual, em uma realidade que fica obscurecida com o surgimento do progresso. Por isso  a literatura em seus romances toma um ar crítico, as questões apresentadas giram em torno de um cenário que não está apenas ligado à estética mas a ética.

Adolfo Caminha, em sua obra, Normalista, comenta um certo desgosto em termos elencaríamos, pois  o mesmo defende a sua escrita tal qual uma fotografada sociedade fortalezense. Constitui em sua obra aspectos fortes como o negativismo de se morar em uma capital em declínio. Aspectos estes que menosprezam a realidade que para ele é absurda, parada no tempo mediante a um progresso que já via-se longe. Para ele, a sociedade fortalezense estava à deriva dos valores éticos, tendo uma parte de suas memórias negativa de humilhação. Com a negação, afirma ele, que necessita urgentemente de uma reforma para completar sua estrutura política e social.

Já Oliveira Paiva na obra A afilhada (1877) aborda o contexto social anterior a abolição da escravidão no estado. Neste contexto, três mulheres descreviam a realidade encontrada no Ceará. Porém, diferente de Adolfo Caminha, Paiva coloca-se como narrador.  Nesta obra Paiva destaca uma linguagem poética e imagética da cidade de Fortaleza, a natureza de suas palavras o difere de Adolfo Caminha, porém apresenta a desigualdade existente na sociedade fortalezense. Aqui tanto o autor não revela apenas o negativismo, mas as duas faces de um povo.

Em Mississippi de Gustavo Barros, encontramos aspectos diferenciados e particulares, tomando por base acontecimentos esporádicos, diferentes e peculiares. Toma por veículo de mutação o avanço da cidade Fortaleza, “ Mississipi é um hino de amor a Fortaleza”. A cidade para o outro é sublime onde se encontra harmonicamente com a poesia e a realidade. A cultura está além do bem e do mal.

É a chegada do progresso que transforma e desagrega seus melhores valores. A cidade que Barros descreve é povoada de belezas naturais, tais quais as dunas das praias, e no progresso devasta-se pelo avanço de suas ruas e prédios.  Embora o contexto dos três autores destacam uma estrutura de historiográficas em torno da capital cearense percebemos uma particular destaque para o homem de fortaleza, suas perspectivas culturais, sociais e políticas. Seja com o negativismo, o realismo e até mesmo o romantismo, o povo cearense destaca-se pela sua perseverança diante de avanços históricos vigentes.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

BARROS, Gustavo. Mississipi. Cruzeiro, 1961. 

CAMINHA, Adolfo. A Normalista. Obliq Press, 2013. Disponível em: https://www.google.com.br/books/edition/A_normalista/XUnvAQAAQBAJ?hl=pt-BR&gbpv=1

Acesso em: 19/03/2021 

PAIVA, M de Oliveira,  A Afilhada. Obliq Press, 2013. Disonivel em: https://www.google.com.br/books/edition/A_afilhada/wUnvAQAAQBAJ?hl=pt-BR&gbpv=0

Acesso em: 19/03/2021

Francisco Fabrício da Silva Monteiro
Graduando em História pela UNESA/RJ

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