CERTEZAS ESTÚPIDAS – por Bruna Mazzer

Por que algumas pessoas agarram-se estupidamente às suas certezas?

Vocês não vão acreditar nestes fatos! Mas, sim, eles aconteceram!

                No ano de 1995 ocorreu, numa pequena cidade dos Estados Unidos, um roubo a banco. Porém, o fato se deu de uma forma tão peculiarmente estúpida que se tornou objeto de experiências dos pesquisadores da Universidade Cornell de Nova Iorque, David Dunning e Justin Kruger, e, posteriormente, a internet criou o complexo do pombo enxadrista.

                Bom, vamos ao inacreditável roubo: McArthur Weeler ingressou num banco pela porta da frente e, calmamente, SEM ESCONDER O ROSTO, sacou uma pistola e anunciou o assalto. Os funcionários não demonstraram resistência e entregaram-lhe uma bolsa com vários maços de dólares. Os policiais foram acionados e, após analisarem os vídeos de segurança rapidamente identificaram e prenderam o delinquente. Ao ser algemado e conduzido à delegacia, McArthur tomado de tamanha surpresa exclamou: “Mas, como vocês descobriram? Eu usei sumo de limão no rosto!”

                Pasmem amigos leitores! O vigarista (ou estúpido?) imaginou-se invisível ao passar limão no rosto, tal qual um truque antigo que havia rapidamente aprendido para fazer “tinta invisível”.

                Esse episódio tragicômico chamou a atenção dos pesquisadores, que examinaram o caso e constataram que o agente criminoso não sofria de transtornos ou doenças mentais, nem estava sob efeito de entorpecentes.                 Então, concluíram que McArthur possuía excesso de confiança em si e no seu plano.

                Daí nasceu o efeito Dunning-Kruger, que implica num fenômeno onde indivíduos com pouco ou nenhum conhecimento sobre determinado assunto acreditam saber mais até mesmo que especialistas. Esse excesso de confiança torna o indivíduo cego quanto a percepção real da situação, levando-o a agir com estupidez e obter resultados indesejados.

                O isolamento social causado pela COVID-19 afastou as pessoas do convívio de seus pares e a internet foi o modo encontrado para “falar”. Diante de toda a facilidade em obter informações, todo mundo passou a ser expert em tudo e quase sempre com uma certeza pronta e inabalável, prestes a ser defendida com unhas, dentes e sangue nos olhos; na internet esses comportamentos são chamados de complexo do pombo enxadrista.

                Pessoas com conhecimento superficial e inflados pelo próprio ego, degladiam-se em arenas virtuais – como em mesas de bar – desinformadas pela própria certeza, contra-argumentando com infantilidades e em prol do conflito, ao invés de resolvê-lo.

                O comportamento dessas pessoas é descrito com a frase: “discutir com Fulano é o mesmo que jogar xadrez com um pombo, pois ele defeca no tabuleiro, derruba as peças e sai voando cantando vitória”.

Bruna Mazzer
Advogada OAB-CE
Especialista em direito de família/sucessões/registros públicos pela UECE
Siga-a no instagram: @brunamazzer.adv

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