É POSSÍVEL AVANÇAR AO FUTURO SEM APAGAR O PASSADO? por Jardeson Cavalcante

Como a grande maioria sabe, eu além de humorista sou apaixonado pela aviação e de certa forma, uma coisa acaba levando a outra. Como eu não consegui “ainda” concluir meu curso de piloto privado, vou levando minha vida no humor, que por outro lado me proporciona voar por esse imenso país; aí uma paixão acaba me aproximando da outra.

  Eu, antes de mais nada quero dizer que sou completamente favorável a modernização e melhorias em qualquer seguimento, mas o que vem sendo feito com aeroporto de Fortaleza que antes se chamava: Aeroporto Internacional Pinto Martins, e hoje querem chamá-lo apenas de “Fortaleza Airport”, é de entristecer um apaixonado pela aviação como eu, e explico:

  Desde criança quando morava com minha saudosa avó dona Maria Lourdes em nosso barraco colado no muro da base aérea, eu menininho magrelo, cabeçudo, corria toda vez que vinha um “silencioso”, e eu estou sendo irônico hahahahaha, boeing 727 da Trans Brasil, boeing 737-200 “breguinha” da VASP ou os imponentes boeing 707 da VARIG que derrubava até as tampas das panelas quando passava, pois tremia tudo. Desde essa época que eu sei e todo cearense sabe que nosso aeroporto se chama Aeroporto Internacional Pinto Martins.

Porém a privatização chegou, veio a empresa consórcio Fraport AG Frankfurt Airport que ganhou a concessão de 30 anos do Aeroporto de Fortaleza em março de 2017, onde o mesmo foi arrematado em leilão por R$ 425 milhões, dinheiro esse importantíssimo para o desenvolvimento do nosso estado, porém tentam mudar o nome de nosso aeroporto. Se não for pedir demais, vamos manter a história do nosso aeroporto e respeitar a biografia e os feitos de Euclydes Pinto Martins que nasceu em Camocim – CE, no 15 de abril de 1892. Filho de Antônio Pinto Martins e Maria de Araújo do Carmo Martins e que às 12h20min do dia 19 de dezembro de 1922, chegava a Camocim.

Os cearenses nada curiosos gritavam: É ELE! 

Então o audacioso aviador que pousava em sua cidade natal, motivo de imensa festa e alegria para os camocinenses que participaram daquele momento histórico e do banquete, que lhe foi oferecido às 14h.

Pinto Martins foi também recepcionado pelo Presidente Artur Bernardes e recebeu um prêmio de 200 contos de réis por seu feito histórico.

Em 12 de abril de 1924, Pinto Martins morreu de forma brutal. Até hoje o episódio não está bem explicado, mas Monteiro Lobato, em seu livro “Escândalo do Petróleo e do Ferro”, sustenta que Pinto Martins foi vítima dos poderosos lobbies interessados em atrasar o desenvolvimento brasileiro.

A triste coincidência é que Pinto Martins morreu no mesmo dia do nascimento do maior gênio da comédia brasileira, o gênio Chico Anisyo, 12 de abril, data essa que mais tarde se tornaria em todo país oficialmente comemorado o Dia do Humorista e pra minha felicidade que além de apaixonado por aviação, humorista por profissão, ainda ganhei de presente no dia 12 de abril de 2013 o nascimento do meu segundo filho João Guilherme.

E por fim encerro falando o seguinte: “Toda mudança para melhorar o futuro só será importante se preservarmos o passado, pois algo sem um passado nunca seria futuro!”

Não importa o nome que queiram dar a ele. Não importa a empresa e nem quantos anos dure, nosso aeroporto se chamará sempre, pelo menos na memória do povo cearense, Aeroporto Internacional Pinto Martins, que foi um dos maiores aviadores desse estado e país.

Jardeson Cavalcante (Titela)

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