O novo telefone sem fio – por Bruna Mazzer

Foto: Canva

O dia 1º de abril já passou, mas não podemos deixar de falar em “fake news” em quaisquer outros dias do ano.

                Eu nasci dia 1º de abril – o ano não vem ao caso – e isso não é mentira! Meus pais contam que, pela previsão do médico, era para eu nascer dia 25 de março e, a cada dia de internação no hospital, meu pai ligava para meus avós dizendo: “Nasceu! Mentira!”. Até que dia 1º de abril eu nasci e ninguém acreditou, até escutar o choro mais ardido que se possa sentir, segundo meus pais. Papai transmitindo “fake news”, hein!?

                Já em idade escolar, aprendi a brincadeira do “telefone sem fio”, tão marota quanto faceira. Passando a mensagem de orelha a orelha, esperávamos ansiosos pela última criança a pronunciar a frase que, 99,99% das vezes, era totalmente diferente do recado inicial. E como ríamos das mensagens finais!

                Mas, como na brincadeira de criança, as notícias falsas se tornaram corriqueiras e, não mais de orelha em orelha, mas de “zap em zap”, as mensagens falaciosas ganham proporções descontroladas.

                Continuem comigo, amigos e amigas leitores, e vejam que não estamos diante de fofocas, mexericos ou disse me disse. O fuxiqueiro, de modo informal, diz falsidades com intuito de causar intrigas ou ainda, diz verdades sem a autorização do seu alvo.

                Notem, agora, a diferença. “Fake news” simulam notícias falsas, revestidas de estilo jornalístico, que, pelo conteúdo correlato a um tema atual, empregam credibilidade. Sem autoria, elas são disseminadas nas redes sociais e viralizam com palavras de ódio ou mesmo com argumentos comprovadamente falsos.

                Os temas são variados, passando por política, curas milagrosas e corona vírus. Quanto a este último, as “fake news” fizeram com que a OMS (Organização Mundial da Saúde) criasse um novo termo: “infodemia”, referindo-se às falsas notícias sobre tudo relacionado à COVID-19.

                E como essas notícias falsas viralizam?

                Elas se tornam virais pela velocidade de um click, pois quase todo mundo tem um parente ou um amigo nos grupos do whatsapp com o “dedo mais rápido do oeste”, que quer ser o primeiro a divulgar a notícia sem se certificar de sua veracidade.

                Por isso que, parafraseando Winston Churchill – ex-primeiro ministro do Reino Unido -, “uma mentira dá meia volta ao mundo antes que a verdade tenha tempo de vestir as calças”.

Bruna Mazzer Paes de Almeida
Advogada e Consultora Jurídica
Especialista em Direito de Família, Sucessões e Registros Públicos.
Mediadora sistêmica.

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