QUANDO ALGUÉM DIZ PRA VOCÊ “EU TE AMO…” por Vagner Ancelmo

Quando alguém diz pra você “eu te amo”, no final das contas…

… o que é o objeto desse amor?

Há quem diga que, como as células mudam constantemente, a personalidade e os pensamentos se reciclam no espetáculo de se ser quem se é. Não seríamos mais que uma percepção momentânea, um fragmento inexato, solto no tempo, que se desfaz a cada hora.

Logo, quando digo “eu te amo”, o objeto do meu amor acabou de se desfazer no trânsito efêmero e inevitável da mudança do que o outro “é-foi”.

Ou seja, o objeto do nosso amor não é fixo. Não tem essa identidade exata e não pode ser amado por isto. Porque a vida, certamente, o que ela não é, é estática e fixa.

Se o ser amado não é fixo. Outros dizem que, exatamente por esse carácter indefinido do que o outro é, ao dizer “eu te amo”, na verdade, estamos amando não o que o outro é, mas, sim, o que achamos que ele seja.

A representação do que controlamos e achamos benéfico para nos sentirmos bem.

É essa ideia que nos serve. Com essa imagem fica mais fácil de amar porque quem a define é quem diz que ama. Se do lado de lá não há exatidão, cá, eu defino o que cabe pra eu amar e vou colando pessoas na minha vida como num álbum de figurinhas da copa.

Tentando sempre achar o pacote premiado ou pelo menos terminar o álbum sem tantos vazios.

Fulana, página virada.

Beltrano, não “colou”.

Ex? Figurinha repetida!

Um exército de gente está destruindo outras pessoas em relacionamentos abusivos no exato instante em que você termina esta frase. Fazem isto como zumbis do afeto porque amam uma ilusão que construíram pra si. Amam tanto esta projeção criada que não conseguem mais ver quem está ao seu lado.

A pergunta fica latente, perambulando pelas cidades. Quando você diz que ama, o que exatamente você quer dizer com isto?

//FIM//

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