Com apenas 55,7% das crianças alfabetizadas, América Latina discute soluções em encontro regional na Argentina
Foto: Divulgação
Representantes de instituições na Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru se reúnem em Buenos Aires para trocar experiências sobre iniciativas e políticas que garantam o direito à alfabetização
Com cerca de 95% das crianças latino-americanas matriculadas nos anos iniciais do ensino fundamental, os baixos índices de alfabetização acendem um alerta sobre a crise de aprendizagem vivida na região. Apenas 55,7% das crianças conseguem ler e escrever na idade esperada, segundo levantamento recente. Os números variam de país para país, mas o desafio de erradicar o analfabetismo é partilhado. Na Argentina somente 57% das crianças são alfabetizadas; no Brasil, 56%; no Chile, 63%; no México, 71%; Colômbia, 46% e no Peru, encontramos o menor percentual, apenas 33,5% dos meninos e meninas sabem ler e escrever na idade adequada1.
Para discutir caminhos e promover avanços, representantes desses seis países participam do 2º Encontro Regional pela Alfabetização, que será realizado em Buenos Aires, na Argentina, entre os dias 29 de junho e 4 de julho. O evento promove a troca de experiências entre organizações que integram coalizões nacionais e regionais formadas por instituições da sociedade civil, fundações e centros de pesquisa comprometidos com a melhoria da educação pública.
A articulação faz parte de uma jornada iniciada em 2024, que contou com encontros virtuais e uma visita presencial à cidade de Sobral (CE), no Brasil, referência internacional em políticas públicas eficazes na área da alfabetização. Durante a visita, os participantes puderam conhecer de perto os resultados obtidos pela rede municipal de ensino, que tem se destacado por garantir o direito à aprendizagem desde os primeiros anos escolares.
Nesta edição, além das trocas institucionais entre os países, o encontro prevê diálogos com autoridades governamentais de províncias argentinas com experiências bem-sucedidas e visitas técnicas a escolas com boas práticas de alfabetização.
A iniciativa é coordenada pelo Instituto Natura, em parceria com o Centro Lemann e com apoio da UBS Optimus Foundation. As coalizões participantes vêm atuando em colaboração com governos e redes locais para apoiar o desenho, a implementação e o monitoramento de políticas públicas voltadas à alfabetização na idade certa, com foco na redução das desigualdades educacionais.
“A alfabetização é um direito fundamental e, ao mesmo tempo, a base para que todos os outros direitos sejam garantidos. Quando crianças não aprendem a ler e escrever na idade adequada, comprometemos o percurso escolar delas em diversas frentes e o desenvolvimento de todo o país”, afirma Márcia Ferri, Gerente de Alfabetização do Instituto Natura, uma das instituições responsáveis pela articulação regional.
Ao colocar a alfabetização no centro das agendas educacionais dos países, a coalizão busca não apenas ampliar o acesso à educação, mas garantir o que realmente importa: a aprendizagem. Conheça abaixo as organizações participantes:
- Argentina: Instituto Natura, Asociación Civil Propuesta DALE!, Fundación Pérez Companc, Argentinos por la Educación, GDFE y CIIPME (CONICET)
- Brasil: Instituto Natura, Centro Lemann, Motriz y Associação Bem Comum
- Chile: Fundación Instituto Natura, Por un Chile que Lee, Instituto y Fundación CMPC, SUMMA, Ciae U. de Chile, Fundación Educacional Oportunidad, Fundación Educacional Arauco, Fundación Rassmuss
- Colômbia: Fundación Instituto Natura, Fundación Corazón de Caña, CTA, Fundación Sura, Fundación Aprender a Quererte
- México: Fundación Instituto Natura, Fundación Zorro Rojo, Fundación Coppel, UNESCO, GC Genera, Vía Educación, Fundación Compartamos
- Peru: Fundación Instituto Natura, Enseña Perú, Hortifrut Perú, Es Hoy

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