Mais frio, mais fome? Spoiler: não é só ‘coisa da sua cabeça’

| 09/07/2025 | 3 min de leitura
Variedades

Foto: Divulgação

Nutricionista da UNIG Itaperuna explica por que o inverno abre o apetite e como manter o equilíbrio sem drama ou dietas radicais

Sabe aquele impulso irresistível por um prato quentinho, cheio de carboidratos, logo que a temperatura cai? Não, você não está sendo guloso ou usando desculpas para fugir da dieta. O frio, de fato, mexe com o nosso corpo e com o apetite também. A ciência confirma: o aumento da fome no inverno não é apenas psicológico, como muitos pensam. Segundo a nutricionista Denise Carvalho, coordenadora do curso de Nutrição da UNIG – Itaperuna, isso tem explicação fisiológica. O corpo precisa trabalhar mais para manter a temperatura estável, o que acelera o metabolismo e aumenta a sensação de fome. 

“Quando estamos expostos a temperaturas mais baixas, o corpo perde calor e passa a produzir mais energia para se aquecer. Isso acelera o metabolismo e pode aumentar em até 10% o gasto calórico, o que naturalmente faz com que a fome apareça com mais frequência”, explica Denise.

Cérebro entra em cena

Essa resposta não vem só do corpo — vem do cérebro também. Um estudo recente do Scripps Research Institute dos EUA, publicado na revista Nature (2023), identificou que o frio ativa um grupo específico de neurônios no tálamo, que funcionam como um “interruptor” para o apetite. Em testes com camundongos, os pesquisadores observaram que os animais passavam a buscar mais comida apenas quando estavam em ambientes frios — uma resposta cerebral direta ao clima.

Mas nem toda fome é “fome real”

Mesmo com base biológica, é importante fazer uma distinção. Segundo Denise, nem toda vontade de comer no frio é fome de verdade. Muitas vezes, trata-se de um impulso, uma busca por conforto emocional — o famoso “quentinho no estômago”. O sistema nervoso central, alerta ao frio, aciona esse comportamento como uma forma de garantir energia. Mas cabe a nós perceber quando é hora de alimentar o corpo ou apenas acalmar a mente.

E o corpo pede movimento, mesmo no frio

Além da fome, o inverno costuma trazer outra armadilha: a preguiça. A vontade de se mexer diminui, o sofá chama, a coberta pesa. Mas manter o corpo ativo ajuda a evitar excessos à mesa. “O exercício ajuda a aquecer o corpo e reduz a necessidade de o organismo compensar isso com maior ingestão de calorias”, reforça a nutricionista.

Como manter o equilíbrio sem passar vontade?

A boa notícia é que dá pra se alimentar bem, com prazer e sem exageros. A dica de Denise é apostar em alimentos de alta densidade nutricional e baixa densidade calórica — aqueles que saciam, mas não pesam.

Alguns aliados para atravessar o inverno com conforto e saúde:

  • Sopas com legumes variados e uma fonte de proteína (frango, lentilha, ovos);
  • Frutas aquecidas com canela (vale banana ou maçã na frigideira);
  • Ovos mexidos no café da manhã, em vez de pães refinados;
  • Chás com especiarias termogênicas como gengibre, cacau, pimenta e canela.

A nutricionista faz um alerta importante para que não se negligencie a água. “No frio, sentimos menos sede e isso pode nos levar a confundir sede com fome. Beber água ao longo do dia continua sendo fundamental”, lembra Denise.

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