Entrevista | Carolina Batista fala sobre Tortelê, legado e lança catálogo de Páscoa da doceria
A Tortelê já se consolidou como uma das docerias mais tradicionais entre as famílias fortalezenses. Nascida a partir de receitas de família, a marca cresceu ao longo dos anos e hoje conta com quatro lojas espalhadas pela cidade, mantendo como essência a combinação entre afeto, memória e sabores que marcaram gerações. Entre os produtos mais conhecidos da casa está o mil folhas, considerado um dos grandes clássicos da Tortelê. Outro destaque é a coxinha, frequentemente apontada por clientes como uma das mais saborosas de Fortaleza. No cardápio, também ganha protagonismo a torta de leite ninho com geleia de morango, criação que se tornou um verdadeiro marco da doceria, pioneira ao trazer esse sabor para a cidade.
Com uma trajetória construída a partir da tradição familiar e da valorização de receitas clássicas, a Tortelê segue ampliando sua presença no cenário gastronômico local. Recentemente, a marca lançou o seu catálogo especial de Páscoa, que chega com novidades e releituras pensadas para a data, mantendo o estilo que já é característico da doceria.

Para falar sobre a história da marca, o legado construído ao longo dos anos, as expectativas para o futuro e as novidades que chegam junto com a nova temporada, conversamos com a chef Carolina Batista, que compartilhou detalhes sobre os próximos passos da Tortelê.
NCTDS: A Tortelê nasceu de receitas de família e de uma necessidade muito prática: pagar as contas.
Quando você olha para essa Carolina do início, fazendo bolos para vender, o que mais te
emociona nessa trajetória?
Carolina: Quando eu olho para aquela mulher do início, o que mais me emociona é perceber a superação.
Eu não tinha estrutura, não tinha planejamento, não tinha garantia de que daria certo… Muitas
vezes, nem eu mesma acreditava que conseguiria. O que eu tinha era responsabilidade e uma
vontade de fazer acontecer. E, mesmo diante das incertezas, fui além do que imaginava ser
capaz. Talvez o que mais me toque seja saber que tudo começou pequeno, dentro de casa, mas
com um sonho grande o suficiente para atravessar 17 anos.
NCTDS: Você é mãe e empresária, duas jornadas intensas que caminham juntas. Como a maternidade
influenciou seu olhar para o negócio, para as pessoas que trabalham com você e para a forma
como a Tortelê cresce?
Carolina: Ser mãe e empreender é viver dois mundos que se misturam o tempo todo. A maternidade me
ensinou sobre paciência, escuta e presença. Isso moldou meu olhar para os negócios, pois levo
isso comigo. Vejo que cada filho tem suas diferenças e particularidades e, a partir daí, entendo
que cada colaborador também tem sua história. Na Tortelê, eu não enxergo funções, eu enxergo
pessoas, com seus sonhos e desafios. Acredito que são as relações reais que sustentam a Tortelê,
por isso, ela cresce como uma família: com união, respeito, responsabilidade e muita verdade.
NCTDS: A Tortelê hoje conta com quatro lojas em Fortaleza e gera emprego para muitas pessoas. Em
que momento você percebeu que aquele sonho caseiro tinha virado, de fato, uma empresa
estruturada?
Carolina: Começamos com apenas 7 colaboradores e hoje temos a responsabilidade de cuidar de 74
famílias. Um crescimento que começou a ganhar forma quando inauguramos a segunda e a
terceira lojas. Agora, com a fábrica, temos ainda mais clareza da dimensão que a Tortelê vem
alcançando: uma empresa sólida, com processos, padronização e responsabilidade social.
NCTDS: A marca é conhecida por unir afetividade e técnica, com doces e salgados que viraram
referência, como o mil-folhas de morango, o bolo Matilda e a coxinha de frango com cream
cheese. Qual você considera o maior diferencial da Tortelê para se manter tão forte ao longo
dos anos?
Carolina: A Tortelê completa 17 anos, mas a nossa história começou ainda antes, quando eu vendia bolos
feitos em casa, muitos deles com receitas da minha mãe e de vizinhas lá de Goiás, e algumas
dessas receitas continuam no nosso cardápio até hoje. Ao mesmo tempo, sempre tivemos muita
dedicação em evoluir. A torta Matilda, por exemplo, surgiu a partir de uma tendência nacional,
na qual a adaptamos ao nosso estilo, até alcançar o padrão de qualidade que buscávamos. O
mesmo aconteceu com o nosso cheesecake, foram muitos testes, ajustes e aperfeiçoamentos
até chegarmos a uma versão que realmente representasse a excelência da Tortelê. Nosso
diferencial está em preservar a memória, mas também no estudo constante, na pesquisa e em
cursos. Sempre na busca por evoluir.
NCTDS: A torta de leite ninho com geleia de morango se tornou um verdadeiro símbolo da marca. O
que você acredita que faz esse sabor atravessar gerações e continuar sendo um dos mais
queridos da cidade?
Carolina: A torta de leite ninho com geleia de morango é a grande rainha da Tortelê. Quando alguém fala
da marca, imediatamente vem à mente o morango, seja no mil-folhas ou nas nossas tortas. Esse
sabor acabou se tornando parte da nossa identidade.
O mais interessante é que fomos pioneiros. Há 17 anos, quando quase ninguém em Fortaleza
trabalhava o Leite Ninho como protagonista em sobremesas, trouxe essa receita de um curso
que fiz em Ribeirão Preto. A partir dali, adaptamos ao nosso estilo e incluímos a geleia de
morango, criando um equilíbrio que conquistou o público. É uma receita que combina com
memória afetiva e personalidade e, o mais bonito, é que ela permanece até hoje.

NCTDS: A Tortelê mantém uma rotina de lançamentos mensais, com novidades como cheesecakes e
novos sabores de coxinha. Como funciona esse processo criativo e o equilíbrio entre inovar e
respeitar a identidade da marca?
Carolina: Sempre tivemos cuidado em manter na vitrine aquilo que faz parte da nossa história. Há
produtos que simplesmente não podem faltar, porque cresceram junto com a Tortelê, como é
o caso da torta de leite ninho com geleia de morango, do brigadeiro, do casadinho e, em
especial, da charlote, que vendo desde a minha infância, há mais de 34 anos. Todos eles
carregam memórias e o carinho dos nossos clientes.
Mas gosto de criar, testar e experimentar. Então, costumamos lançar novidades com frequência,
em média quatro produtos a cada um ou dois meses. Alguns entram como especiais e ficam por
um período menor. Mas é o cliente quem dá a palavra final. Quando a aceitação é grande, o
produto acaba ficando. Foi assim com o cheesecake.
NCTDS: A Páscoa da Tortelê já virou tradição em Fortaleza. Na sua visão, o que faz a Páscoa da marca
ser tão aguardada todos os anos pelo público?
Carolina: A Páscoa da Tortelê é realmente um momento muito especial. Cerca de um mês, às vezes um
mês e meio antes, os clientes já começam a ligar perguntando se o catálogo está pronto. Existe
uma expectativa em torno disso.
Acredito que o que mais encanta é a variedade de sabores aliada à qualidade do nosso
chocolate. A gente se dedica muito para criar opções diferentes, sem abrir mão do padrão que
o cliente já conhece e em que confia.
NCTDS: Em uma das edições, um ovo de Páscoa da Tortelê foi eleito o melhor sabor da cidade, na
degustação anual de ovos. O que esse reconhecimento representou para você e para o time?
Carolina: A Páscoa hoje é a nossa terceira melhor data em volume de vendas, mas nem sempre foi assim.
Durante um bom tempo, o chocolate não tinha tanta força dentro da nossa produção,
principalmente porque não tínhamos uma estrutura adequada para isso. Então, ver essa
evolução acontecer já é, por si só, muito gratificante.
Quando conquistamos o prêmio de melhor ovo pelo Sabores da Cidade, com os ovos de pistache
e chocolate com frutas vermelhas, foi uma alegria enorme, pois simbolizou o quanto crescemos
e amadurecemos nesse segmento. Foi uma vitória de todo o nosso time.
NCTDS: Pensando na Páscoa deste ano, o que o público pode esperar de diferente? Haverá novidades
em sabores, formatos ou experiências?
Carolina: Todo ano, a gente acompanha as tendências nacionais, mas sempre filtra o que realmente
combina com a identidade da Tortelê. Há sabores que já são consagrados e não podem faltar,
como o pistache, que já vem há alguns anos e virou queridinho; o brigadeiro, que é clássico
absoluto; e o caramelo com speculoos, que tem um público muito fiel.
Para este ano, a grande novidade é o Ovo Fatia. Ele surgiu como tendência, e nós o adaptamos
ao nosso estilo. Enquanto muitas versões são vendidas em seis partes, a Tortelê vai trabalhar
com três fatias, três “bandas”, com três sabores diferentes na mesma composição, pensada para
proporcionar mais variedade em um único produto. Também vamos lançar o Ovo Matilda. Como
o bolo Matilda é um sucesso na nossa confeitaria, decidimos transformar essa experiência em
versão de Páscoa. É uma adaptação em que acredito muito e que será um dos destaques deste
ano.

NCTDS: Existe um conceito criativo por trás da Páscoa da Tortelê este ano? Que sentimento ou
mensagem vocês querem despertar nas pessoas ao consumir os produtos?
Carolina: Sim, existe. A Páscoa deste ano foi pensada como um encontro entre tradição e novidade, algo
que a Tortelê sempre fez muito bem.
Queremos despertar aquele sentimento de expectativa boa, de memória afetiva, mas também
de surpresa. Mantivemos os sabores consagrados, como pistache, brigadeiro e caramelo com
speculoos, porque eles já fazem parte da história dos nossos clientes. Ao mesmo tempo,
trouxemos novidades como o Ovo Fatia e o Ovo Matilda, que representam nossa vontade de
sempre criar e evoluir, porque acreditamos que a tradição pode caminhar junto com a inovação.
NCTDS: A Páscoa costuma ser um dos períodos mais intensos para quem trabalha com confeitaria.
Como você vive esse momento nos bastidores, como líder e como pessoa?
Carolina: A Páscoa é um período muito intenso dentro da nossa cozinha. É quando tudo precisa funcionar
em sintonia, e a união da equipe faz toda a diferença. Cada pessoa entende a importância do
seu papel, e existe um espírito coletivo muito forte nesse momento.
Procuro acompanhar de perto, apoiando e incentivando. Existe planejamento, claro. Estudamos
os números dos anos anteriores e nos organizamos com antecedência, mas também precisamos
estar preparados para as surpresas, porque muitos clientes deixam para decidir mais próximo
da data. É desafiador, mas é muito bonito ver o quanto o nosso time se dedica para entregar
algo especial.
NCTDS: Quando você pensa no futuro da Tortelê, que tipo de legado você deseja deixar, não só como
empresária, mas como mulher, mãe e referência no empreendedorismo gastronômico
Carolina: No futuro, desejo que a Tortelê continue sendo uma empresa construída com valores, respeito
e propósito. Se um dos meus filhos ou sobrinhos quiser dar continuidade a esse sonho, eu ficarei
muito feliz. Mas também entendo que cada um tem sua própria missão e quero que eles sejam
livres para escolher o que desejarem. Como mulher e mãe, mais que continuidade, quero que
eles vejam que é possível construir algo sólido com trabalho, coragem e fé.
Para aquela pessoa que hoje vende em casa, que sonha em ter uma loja, uma confeitaria ou
qualquer negócio próprio, eu gostaria de deixar uma mensagem: é possível. Se existe um sonho,
ele merece ser colocado em prática. Com estudo, esforço e constância, pode, sim, dar muito
certo. Começar pequeno não impede você de construir algo extraordinário.
Acesse o catálogo de Páscoa da Tortelê clicando aqui.

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