Documentário relembra a luta pelos direitos LGBTQI+ no Brasil

30/09/2025 10 min de leitura
Inclusão

Foto: Divulgação

A Marcha da Família com Deus pela Liberdade, movimento político-religioso brasileiro em 1964, era o prenúncio de tempos de reacionarismo e repressão, especialmente para um setor da sociedade brasileira, que lutava por direitos. O documentário “Não é a primeira vez que lutamos pelo nosso amor”, que vai ao ar no Curta!, conta as histórias de perseguição e violência contra a população LGBTQI+ na Ditadura Militar, como as resistências foram construídas, tornando-se também um pilar na luta pela redemocratização e algumas de suas conquistas.
 

Produzido pela Couro de Rato e com direção de Luis Carlos de Alencar, o filme traz depoimentos inéditos de ativistas que lideraram manifestações e foram resistência. Com imagens de arquivo, trechos de entrevistas antigas e material gráfico de publicações alternativas, o documentário resgata a história da luta LGBTQI+ em meados do século XX no Brasil e no mundo.
 

A professora universitária e presidente da Associação Brasileira de Estudos da Trans-Cultura, Jaqueline Gomes de Jesus ressalta que a Ditadura apenas agravou um problema histórico do país, com uma classe dominante patriarcal e preconceituosa que já perseguia as minorias. A visão é compartilhada por quem já sentia os olhares duros da sociedade.
 

“Você tinha toda a estrutura repressiva comum de um país periférico como o Brasil. E ainda por cima com um governo ditatorial, que tinha projetos muito claros de moralização do país e tudo era subversivo”, conta o escritor e diretor e dramaturgo João Silvério Trevisan.
 

O documentário mostra como a população LGBTQI+ foi considerada uma das inimigas da família tradicional e da ideia de país que os militares tentavam impor. Em 1969 chegou a ser criada uma comissão de investigação para apurar denúncias de comunismo, alcoolismo e homossexualismo no Itamaraty. Sete diplomatas chegaram a ser cassados sob essa denúncia de homossexualismo e incontinência pública escandalosa.
 

“Anos depois eu recebi uma cópia do relatório das nossas prisões, onde estou citado. Lá está dito que a homossexualidade era um recurso para corromper as pessoas e destruir a família, acabar com a verdadeira democracia”, relembra o jornalista e dramaturgo Alexandre Ribondi.
 

Diante das intimidações, perseguições e agressões, os ativistas criaram redes de solidariedade e apoio. A obra analisa iniciativas que desafiavam o controle dos corpos e algumas publicações da imprensa alternativa, como “Lampião da Esquina” e “Chana com Chana”.
 

O documentário faz um grande panorama da luta por direitos civis em meados do século XX, ao apresentar movimentos inspiradores nos Estados Unidos e na Argentina. E discute conquistas que os grupos LGBTQI+ conseguiram, como mudanças na legislação, e a influência nas iniciativas por democracia no país, como a união com o setor trabalhista, com quem juntaram forças em histórica manifestação de 1º de Maio no ABC Paulista para lutar por seus direitos, liberdades e um país democrático.
 

“Ali a gente tinha a consciência absoluta de que aquela marcha era contra a Ditadura. Não tinha esse nome e nem poderia ter. Se visse o aparato policial que foi montado, era muita coisa. Colocamos as mulheres e as crianças para abrir a marcha, para ver se eles não atacavam”, relembra a historiadora e ativista Marisa Fernandes.
 

“Não É A Primeira Vez Que Lutamos Pelo Nosso Amor” é uma produção da Couro de Rato. O documentário pode ser visto no CurtaOn – Clube de Documentários, disponível no Prime Video Channels, da Amazon, na Claro TV+ e no site oficial da plataforma a partir de outubro (CurtaOn.com.br). A estreia é no dia temático Sextas de História e Sociedade, 03 de outubro, às 22h.

‘Lupicínio Rodrigues – Confissões de Um Sofredor’

Considerado por muitos o “Pai da Sofrência”, Lupicínio Rodrigues é tema do documentário que celebra o legado poético do cantor e compositor, explora a sua contribuição musical e o contexto histórico em que viveu. A produção original do Curta! integrou festivais e foi exibida nos cinemas.


Com materiais de arquivo do próprio Lupicínio, além de entrevistas e falas de artistas como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, e Elza Soares, a produção também aborda um episódio importante da história do biografado envolvendo a faixa “Se Acaso Você Chegasse”. A música fez parte da trilha sonora de um musical de Hollywood, “Dançarina Loura”, indicada ao Oscar de 1945. Mas, além de não ter sido consultado sobre o uso da canção, Lupicínio só foi receber direitos autorais anos após o sucesso. Até hoje seus créditos na indicação ao Oscar não foram reconhecidos.
 

O documentário, de Alfredo Manevy, traz, ao mesmo tempo, a dimensão da sua coragem musical e da dificuldade de um homem do extremo sul do Brasil chegar ao centro da indústria cultural naquele tempo. O longa conta com histórias “saborosas” contadas pelo próprio Lupicínio. “Eu sofri demais, não é brincadeira não. As minhas dores de cotovelo foram de verdade, então eu sei traduzir as dos outros”, confessou o ícone do samba-canção sobre as próprias desilusões servirem de matéria-prima para suas letras.

A produção é da Plural Filmes, viabilizada pelo Curta! através do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). O filme está no streaming através do CurtaOn, disponível no Prime Video Channels — da Amazon —, na Claro tv+ e no site oficial da plataforma (CurtaOn.com.br). A exibição é no dia temático Segundas da Música, 29 de setembro, às 22h.
 

Segundas da Música – 29/08

22h – “Lupicínio Rodrigues — Confissões de um Sofredor” (Documentário)

No fim dos anos 1960, um dos maiores nomes do samba-canção, o gaúcho Lupicínio Rodrigues, sentia-se esquecido. Ele contou sua vida em alguns depoimentos, resgatados por este documentário. Hoje, numa Porto Alegre muito diferente daquela em que Lupi nasceu, seus descendentes fazem a genealogia da família e músicos investigam o legado do compositor. Direção: Alfredo Manevy Duração: 96 min Classificação: 12 anos Horários alternativos: 30 de setembro, terça-feira, às 16h; dia 01 de outubro, quarta-feira, às 10h; 04 de outubro, sábado, às 13h; 05 de outubro, domingo, às 19h.

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Terça das Artes – 30/09

22h – “David Hockney — Tempo Recuperado” (Documentário)

Aos 84 anos, David Hockney é considerado um dos líderes da Pop Art e um dos artistas britânicos mais influentes dos séculos XX e XXI. É também um dos artistas mais valiosos do mundo. Sua obra “Retrato de um Artista (Piscina com Duas Figuras)”, vendida em 2018 por US$ 90,3 milhões, já deteve o recorde de obra mais cara de um artista vivo (foi desbancada por uma escultura de Jeff Koons, vendida por US$ 91 milhões, em 2019). Sua vida e obra estão no documentário “David Hockney — Tempo Recuperado”. Através de imagens, anedotas e detalhada análise pictórica, o filme destaca como o renomado pintor — que também é cenógrafo e fotógrafo — desafia classificações e permanece misterioso de muitas maneiras: um artista intenso, profundo e apaixonado. Direção: Michael Trabitzsch Duração: 52 min Classificação: Livre Horários alternativos: 01 de outubro, quarta-feira, às 2h e às 16h; 02 de outubro, quinta-feira, às 10h; 04 de outubro, sábado, às 9h30; e domingo 05 de outubro, às 1h30.
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Quarta de Cena e Cinema – 01/10

22h30 – “O Bom Cinema” (Documentário)

O documentário resgata a história da Escola Superior de Cinema, primeira faculdade brasileira de cinema que serviu de berço para cineastas da Boca do Lixo e do Cinema Marginal. Fundada por um padre jesuíta, a escola funcionou entre 1965 e 1972, em São Paulo, e ficou marcada por desavenças entre alunos ligados à contracultura e uma diretoria defensora “da moral e dos bons costumes”. Direção: Eugênio Puppo Duração: 81 min Classificação: 12 anos Horários alternativos: 02 de outubro, quinta-feira, às 2h20 e 16h20; 03 de outubro, sexta-feira, às 10h20; e 04 de outubro, sábado, às 11h30.

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Quintas do Pensamento – 02/10

21h30 – “As Incríveis Artimanhas da Nuvem Cigana” (Documentário)

Com colagens, material de arquivo e depoimentos, este é um retrato íntimo e apaixonado que analisa a influência exercida na arte brasileira pela “Nuvem Cigana”, coletivo de poetas cariocas que faziam parte do movimento conhecido como poesia marginal nos anos 1970 e 1980. Direção: Paola Vieira e Claudio Lobato Duração: 80 min Classificação: 16 anos Horários alternativos: 03 de outubro, sexta-feira, às 1h40 e às 15h40; e 05 de outubro, domingo, às 13h30.

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Sextas de História e Sociedade – 03/10

22h – “Não é a primeira vez que lutamos pelo nosso amor” (DOCUMENTÁRIO) – ESTREIA NO CANAL

O documentário conta as histórias de perseguição e violência quando a ditadura civil-militar brasileira atuou contra a população LGBT e como esse mesmo grupo constituiu suas resistências, transformando-se em sujeito fundamental do processo de redemocratização. O golpe de 64 não instaura esse preconceito, mas, nesse período, a população LGBT foi considerada inimiga da família tradicional, da moral e dos bons costumes. Direção: Luis Carlos de Alencar Duração: 104min Classificação: Horários Alternativos: 04 de outubro, sábado, às 2h e às 15h e 05 de outubro, domingo, às 21h.

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Sábado – 04/10

21h50 – “Grandes Cenas” – 2ª Temporada – Ep. “Que Horas Ela Volta?”
A diretora Anna Muylaert expõe seu processo de criação em “Que Horas Ela Volta?” (2015) e ressalta a importância da inesquecível cena da piscina, que marca a grande transformação da personagem Val, interpretada por Regina Casé. Direção: Ana Luiza Azevedo e Vicente Moreno Duração: 20 min Classificação: 10 anos Horário Alternativo: 05 de outubro, domingo, às 8h.

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Domingo – 05/10

23h – “Cuba, A Revolução e o Mundo” (Série) – Episódio: “Os combatentes”

“Cuba se recusa a ser um mero peão no xadrez político e toma frente ao lado de movimentos de libertação ao redor do mundo, construindo seu próprio caminho na cena internacional. Desde o início, Cuba fez sua revolução em escala mundial. Fidel Castro e Che Guevara estão decididos em posicionar Cuba na vanguarda dos movimentos de libertação nacional e anti-imperialista da África e da América Latina. Direção: Mick Gold Duração: 59 min Classificação: 14 anos

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