Festival do Sesc discute meios de inserção das juventudes na cadeia produtiva da cultura

| 03/09/2025 | 5 min de leitura
Cultura

Lilith Cairu é cineasta indígena de Roraima

Festival LABmais acontece de 4 a 6 de setembro em Caxias do Sul (RS)e reúne jovens de 17 estados que conectam arte, mídia e tecnologia

Mikaella Amaral, de Caxias do Sul, foi eleita Melhor Atriz na Mostra de Curtas Gaúchos do 53º Festival de Cinema de Gramado. Lilith Cairú é indígena do povo Wapichana de Roraima e cineasta. Isabela Alves veio da periferia de Belo Horizonte e já participou da criação de filme em curta-metragem. Cibele Vieira é de Petrolina e transformou o sonho em trabalhos de produção cultural, podcasts e documentários. Além do talento, essas quatro jovens têm em comum a participação no projeto Laboratório Sesc de Artes, Mídias, Tecnologias e Juventudes, o LABmais. Elas e mais dezenas de jovens estarão reunidos em Caixas do Sul entre os dias 4 e 6 de setembro para o Festival LABmais, evento que vai debater os meios de inserção das juventudes na cadeia produtiva da cultura.

Criado em 2021, o LABmais é uma plataforma educativa e ao mesmo tempo um laboratório artístico, com foco no trabalho com juventudes, protagonistas da produção e difusão dos conteúdos. Atualmente, está presente em 17 estados e já contemplou aproximadamente 2 mil jovens, entre 18 e 29 anos, com formação para o desenvolvimento de diferentes conteúdos, como produção de podcasts, filmes, clipes, ensaios fotográficos, book trailers, dentre outros processos artístico-culturais, sintonizados com tecnologias de interação midiática comuns a essa geração.

Foi no laboratório em Caxias do Sul (RS) que a jovem atriz de 26 anos Mikaella Amaral e seus 16 colegas criaram o curta-metragem ‘Bom Dia, Maika!’. Além de dar a ela o prêmio de Melhor Atriz em Gramado a produção também foi reconhecida na categoria Melhor Trilha Sonora, assinada por Zero de Fato.

“Esse filme mudou a minha vida. A vitória é muito impactante para todos que sonham em iniciar o caminho artístico. O reconhecimento no Festival reforça a importância de projetos como o LABmais, por oferecer espaço e formação para jovens artistas como eu”, afirma Mikaella.

Outra experiência de sucesso veio do Norte do Brasil. Lilith Cairú descobriu sua vocação no audiovisual aos 17 anos, mas foi pelas salas do LABmais de Boa Vista (RR) que pode encontrar apoio para se firmar na produção independente. “O laboratório foi um espaço onde pude experimentar, criar e me reconhecer como artista. Lá tive acesso a materiais que nunca imaginei usar. Foi ali que entendi que minha arte poderia ser ferramenta de transformação”, afirma.

Atualmente com 27 anos, Lilith já acumula no currículo 15 curtas, abordando temas como homofobia, identidade indígena, violência e relações familiares. No evento nacional do LABmais, em Caxias do Sul, Lilith vai compartilhar sua vivência como atriz, roteirista, editora e diretora de audiovisual.

Estar no Festival LABmais em Caxias do Sul para apresentar seu trabalho vai ser uma experiência não só profissional, mas também de vida para Cibele Vieira, de Petrolina (PE): pela primeira vez, ela vai viajar para tão longe de casa.

No LABmais desde 2021, Cibelle, que tem 21 anos, aprendeu técnicas e conteúdo, ajudou na produção de festivais e, com uso da criatividade potencializada pela mentoria que recebeu, participou de documentários, podcasts e integrou equipe de grandes eventos realizados em sua cidade natal.

“Moro em um bairro de periferia de Petrolina. Sou a primeira da minha família a viajar de avião, a primeira a entrar para uma universidade pública e a primeira a trabalhar com cultura. Ainda não sei para onde o destino me levará. Mas sinto que sou a primeira da minha família a caminhar para algum lugar fora do previsível”, comemora.

Ela conta que foi no LABmais que percebeu que poderia viver da comunicação ligada à arte e à tecnologia. “Foi lá que recebi meu primeiro salário trabalhando com cultura”, afirma.

É uma história parecida com a da Isabela Alves, 19 anos. Moradora da periferia de Belo Horizonte (MG), ela ingressou no laboratório e mergulhou em processos coletivos, aprendendo a usar o audiovisual como linguagem da sua arte a partir de sua experiência como mulher negra. No LABmais participou da criação do curta-metragem “Pobreza”, que conta histórias ligadas à desigualdade social, e do filme “Sobreviver”, que mostra como, mesmo em meio à violência, é possível usar a arte para unir pessoas.

Além do cinema, Isabela também sonha em conectar duas outras paixões: a cultura e a gestão. “O LABmais tem sido uma experiência muito rica de criação. Tenho aprendido que a organização e a aplicação de método fazem a diferença também na economia criativa, como vejo no meu trabalho com tranças. Por isso, o projeto me despertou o desejo de estudar administração para ajudar a estruturar propostas e permitir que a gente viva da produção artística”, afirma.

O Festival LABmais mobilizará 13 espaços na cidade de Caxias do Sul, trazendo como tema “Entre corres e conexões: o que sustenta as juventudes?“. Por meio de oficinas, painéis e performances artísticas, entre outras atividades, serão colocadas em pauta questões como comunicabilidade, corre e coletividade, pilares de construção da programação. Todas as atividades são gratuitas.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *